A cidade dos 25 minutos

Precisamos entender que a cidade também vive uma pandemia a muito tempo e não pode mais esperar.

Vinicius Ribeiro Blog 241 views 2 min. de leitura
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Há décadas, moradores urbanos nas cidades perdem qualidade de vida e adquirem estresse, convivem com a poluição e arcam com um custo de vida altíssimo.

Fortalecer e resgatar o sentimento e a segurança que a comunidade necessita, associada ao pensamento de planejamento urbano sustentável é a solução.

Para Zygmunt Bauman autor da ideia de que o indivíduo precisa dos outros como o ar que respira, nos lembra que, a comunidade produz uma sensação diante dos significados que a palavra “comunidade” leva, ou seja, a comunidade é um lugar confortável e aconchegante. Já a ideia do lugar sustentável, vem das contribuições de Jacobs (1961); Lynch, 1981; Appleyard, 1981; McHarg 1995; Gehl 2003 e da ONU, 2013; entre outros.

Vários critérios são utilizados, mas entre eles cito um: o tempo de deslocamento. Focalizamos nosso esforço em planejar na escala de bairro – local. Seria necessário ver a cidade em diversas microrregiões - várias cidades dentro da nossa cidade. Cada qual olhada e revitalizada de acordo com suas especificidades. O imaginário coletivo trabalha com o deslocamento de ida e volta. Vinte e cinco minutos é a referência. Paris utiliza quinze só de ida.

Dentro desta escala de planejamento, a cidade deveria oferecer todos os serviços básicos necessários para atender o dia a dia das famílias como escola, unidade básica de saúde, comércio em geral e espaço público para práticas esportivas. Isso pode acontecer com o incentivo do poder público municipal. Não refiro-me a dinheiro e sim de puro planejamento urbano. Moradia e espaço público seriam integrados com um conjunto de ferramentas de planejamento como densidade, compacidade, diversidade e uso misto.  Além disso, a cidade poderia usar a tecnologia para aproximar as pessoas, pois às vezes atravessamos a cidade para contratar um serviço de costura por que não conhecemos ou sabemos que na quadra ao lado da nossa moradia há uma costureira.

Mais detalhadamente, na ideia da cidade dos 25 minutos, as caminhadas e o uso da bicicleta seriam os principais modos de deslocamento. Esse jeito de planejar aceleraria a forma de como as pessoas vivem e a conexão entre as diversas centralidades existentes na cidade. Uma rede de boas calçadas e ciclo viários seriam implementados. Assim, a vida urbana seria mais sustentável, mais atrativa e funcional.

Aumentar a oferta de serviços humanizaria a convivência das pessoas e aumentaria a sensação de segurança do indivíduo.

Entendo que, neste momento a prioridade das pessoas é sobreviver à luz da pandemia e do Coronavirus. Porém, paralelamente a isso, precisamos entender que todos sofrem com a pandemia e não podemos mais esperar.

 

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