Meu lar em época de pandemia: um olhar de urbanista

Como esta o lar de todos - a cidade e o nosso lar familiar - as edificações ?

Vinicius Ribeiro Blog 706 views 3 min. de leitura
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O isolamento social e a restrição de atividades orientadas pelas autoridades em função do Coronavírus fizeram o lar de todos - a cidade, e o lar familiar - as edificações mudarem suas rotinas, funções e sentido na vida das pessoas.

Ambientes da casa definidos por projetos arquitetônicos como sala, cozinha, quarto, área de serviço passam a ter finalidades multiusos. As famílias descobriram inclusive, que a decoração cuidadosamente comprada, vista por alguns segundos por dia anteriormente, passaram não ter valor sendo vista horas por dia.

A pluralidade das coisas dentro de casa passou a ter novos significados.

A reflexão que me ocorre é a seguinte: foi o arquiteto que não projetou bem, ou foi o ambiente que não foi preparado para a convivência permanente ou a casa que escolhemos para morar não é verdadeiramente o nosso lar.

Percebemos que estando mais em casa o custo aumentou – por óbvio. As contas chegaram e a luz, água, internet e acessórios vieram mais caros. Não sabemos usar a água tratada adequadamente. Gastamos demais e nem percebemos; mais em quantidade do que no custo. Aumentou também a quantidade gerada de lixo e resíduos que produzimos. Estamos perdendo a oportunidade de conscientizar as famílias a melhorar seu compromisso com o meio ambiente acelerando o entendimento sobre isso. Aliás somente 5% do lixo no Brasil e cerca de 20% em Caxias do Sul – cidade onde resido - são reciclados. É baixíssimo!

No ambiente público, ficou provado que não estamos preparados para trabalhar prevenção e resiliência. Não falo somente da área da saúde. Precisamos nos reeducar.

Um destaque que faço é na reflexão sobre a mobilidade humana sustentável.

Já se deram conta que as vagas abertas nos hospitais estão “disponíveis” em função da redução dos acidentes de trânsito nas últimas semanas? 

E também da redução de doenças ocasionadas pela poluição do ar, vista como Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT). Dados extraoficiais divulgam que 60% dos leitos de UTI provem da poluição do ar e dos acidentes de trânsito. Ambos contabilizam cerca de 90 mil mortes ano no Brasil.

Estou sem carro e mudei meu comportamento no transito, mas sei que não fui o único. Se por um lado é verdade que passamos a nos virar andando menos de carro, mudando o nosso hábito, por outro lado, em tempos de pandemia, o transporte coletivo não passou a ser a melhor alternativa de locomoção. Tempo para nos reciclar e tempo suficiente para o transporte de massa se adequar.

Outro aspecto importante é relacionado a participação da comunidade.

Para mim está claro que a participação cidadã pelos meios digitais precisam ser avançados e oficializados. Se é verdade que é nesta área que a sociedade produz muita besteira e fakenews, é também verdade que há muito relacionamento e opinião verdadeira que servem para ser utilizada pelo poder público. Nesta época podíamos está discutindo e participando de referendos e plebiscitos sobre temas de importância local e nacional, podendo serem aproveitados por todos.

As empresas, os serviços e as relações de trabalho também estão aprendendo com este momento.

Muitos perceberam que a presença física pode ser dispensada e que há comunicação, trabalho e relações que podem ser compartilhadas pela vida virtual. Até nisso a vida da cidade gerará menos tráfego e mais qualidade de vida.

Para a história do urbanismo, as pandemias foram motivações para as sociedades repensarem os modelos de cidade e reverterem as vocações, as relações interpessoais e a tipologia de edificação ofertada. Londres, Barcelona foram grandes exemplos. Os espaços de convivência comunitária passaram a ter novos olhares tornando as cidades mais “higiênicas e funcionais” como diziam no século XVIII e XIX.

Hora de darmos novos atributos para a nossa cidade. Lembrando que os problemas das cidades em si, são os problemas que as pessoas têm, em função da estrutura física ao longo do tempo. São as pessoas que dão à Cidade os seus atributos.....violenta, tranquila, serena, de qualidade..... Por que a Cidade em si não tem intencionalidade, quem tem é o ser humano, de acordo com seus interesses.

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